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sábado, 3 de junho de 2017
Benefícios da esponja na panificação
O surgimento do pão francês no Brasil e o pão na França
(27 julho 2016- texto de Jose Orenstein, no Paladar)
Os imigrantes europeus trouxeram a farinha de trigo, antes desconhecida por aqui, e o hábito de fazer pão, mas foi a industrialização que popularizou o pão por aqui.
No Brasil colonial, não era comum o consumo de pão. Ao menos não como o conhecemos hoje. É só no século 19 que ele começa a se popularizar, especialmente na virada para o século 20. Até então, consumia-se derivados da mandioca, como o beiju de tapioca, farofa e pirão. E mesmo quando se começa a fazer pão por aqui, era mais comum o de milho.
Foi portanto a afluência de imigrantes europeus que fez a coisa mudar de figura. Embora já houvesse uma tradição de panificação nas famílias portuguesas, ela era restrita a rituais: fazia-se cruz na massa e rezava-se salmo para vê-la crescer. Com os italianos, no entanto, a cultura de comer pão se difundiu popularmente. Em São Paulo, eles fundaram as padarias Santa Tereza (1872), Ayrosa (1888) e a Popular (1890, da família Di Cunto), que faziam pães de fermentação longa e natural – até hoje uma tradição na cidade.
Como em outros países, a difusão do hábito de comer pão está associada à urbanização e industrialização, quando a farinha de trigo ganhou o mundo.
Não à toa foi em 1905 que aportou no Brasil a Bunge, gigante do agronegócio que instalou o Moinho Santista e comprou em 1914 o Moinho Fluminense (o primeiro do País, inaugurado no Rio de Janeiro em 1887). As cidades, em especial São Paulo, cresciam em ritmo acelerado e era preciso alimentá-las. Nesse embalo, uma cadeia industrial se forma: o algodão do Nordeste é matéria-prima da crescente indústria têxtil, que faz as sacas para o trigo moído; os resíduos do algodão, por sua vez, viram óleo: no fim dos anos 1920, a Bunge já vende gordura vegetal, margarina.
O hábito de se comer pão francês nasce nesse momento, as primeiras décadas do século 20. “A moda do pão francês vem da Europa. A Bunge vem de lá e incentiva, com propaganda, sobre as vantagens desse pão, espalhando cartazes do pão e da qualidade da farinha”, diz Viviane Morais, gestora de ações internas e pesquisas históricas do Centro de Memória Bunge em São Paulo.
A origem exata da receita do pão francês é desconhecida. Mas atribui-se à elite que viajava a Europa o advento do pãozinho, pois era moda, no começo do século 20 em Paris, um pão pequeno e de casca dourada, um precursor da baguete. Essa elite teria trazido o tal pão e mandado os padeiros locais copiarem.
Por aqui, água, farinha e sal ganharam a adição de açúcar e gordura, e o fermento natural foi substituído por fermento biológico, para agilizar a produção do “pão francês brasileiro”, que acabou sendo dominada por famílias portuguesas. Elas passaram a introduzir a ideia das várias fornadas de pão quente ao longo do dia. E indústrias, como a Bunge – que ainda hoje, por meio dos insumos, está em 70% das padarias brasileiras –, adoraram (e propagaram) a ideia, fomentando a cadeia produtiva. Segundo Viviane Morais, há relatos já nos anos 1920 de cursos de panificação nas indústrias da Bunge. O Moinho Santista, desde o início, já mantinha uma padaria experimental para testes de seus produtos.
Sob o nome de cacetinho, baguetinha, bisnaga ou pão de sal, nosso pão francês-brasileiro se espalhou pelo País.
O PÃO FRANCÊS NA FRANÇA
Não se come pão francês na França. Come-se pão. Que nada tem a ver com a porção de casca craquelada que comemos aqui diariamente.
Pão, lá, é coisa séria. E como os franceses são chegados em normas e burocracias, até fizeram lei regulando sua produção: em 1993, foi editado o "decret pain", que permitia apenas farinha de trigo, água, sal e fermento na fabricação dos pães tradicionais franceses (e autorizava, para desespero de puristas, alguns outros aditivos em baixas proporções).
O decreto vinha, principalmente, para proteger a baguete, pão francês de consumo diário e rápido, especialmente nas cidades. À época, havia uma polêmica sobre a queda da qualidade do tradicional pão afilado em Paris. A lei exigia também que, para uma padaria merecer esse nome, seus pães tinham que ser feitos no próprio estabelecimento e não poderiam ser congelados.
Os imigrantes europeus trouxeram a farinha de trigo, antes desconhecida por aqui, e o hábito de fazer pão, mas foi a industrialização que popularizou o pão por aqui.
No Brasil colonial, não era comum o consumo de pão. Ao menos não como o conhecemos hoje. É só no século 19 que ele começa a se popularizar, especialmente na virada para o século 20. Até então, consumia-se derivados da mandioca, como o beiju de tapioca, farofa e pirão. E mesmo quando se começa a fazer pão por aqui, era mais comum o de milho.
Foi portanto a afluência de imigrantes europeus que fez a coisa mudar de figura. Embora já houvesse uma tradição de panificação nas famílias portuguesas, ela era restrita a rituais: fazia-se cruz na massa e rezava-se salmo para vê-la crescer. Com os italianos, no entanto, a cultura de comer pão se difundiu popularmente. Em São Paulo, eles fundaram as padarias Santa Tereza (1872), Ayrosa (1888) e a Popular (1890, da família Di Cunto), que faziam pães de fermentação longa e natural – até hoje uma tradição na cidade.
Como em outros países, a difusão do hábito de comer pão está associada à urbanização e industrialização, quando a farinha de trigo ganhou o mundo.
Não à toa foi em 1905 que aportou no Brasil a Bunge, gigante do agronegócio que instalou o Moinho Santista e comprou em 1914 o Moinho Fluminense (o primeiro do País, inaugurado no Rio de Janeiro em 1887). As cidades, em especial São Paulo, cresciam em ritmo acelerado e era preciso alimentá-las. Nesse embalo, uma cadeia industrial se forma: o algodão do Nordeste é matéria-prima da crescente indústria têxtil, que faz as sacas para o trigo moído; os resíduos do algodão, por sua vez, viram óleo: no fim dos anos 1920, a Bunge já vende gordura vegetal, margarina.
O hábito de se comer pão francês nasce nesse momento, as primeiras décadas do século 20. “A moda do pão francês vem da Europa. A Bunge vem de lá e incentiva, com propaganda, sobre as vantagens desse pão, espalhando cartazes do pão e da qualidade da farinha”, diz Viviane Morais, gestora de ações internas e pesquisas históricas do Centro de Memória Bunge em São Paulo.
A origem exata da receita do pão francês é desconhecida. Mas atribui-se à elite que viajava a Europa o advento do pãozinho, pois era moda, no começo do século 20 em Paris, um pão pequeno e de casca dourada, um precursor da baguete. Essa elite teria trazido o tal pão e mandado os padeiros locais copiarem.
Por aqui, água, farinha e sal ganharam a adição de açúcar e gordura, e o fermento natural foi substituído por fermento biológico, para agilizar a produção do “pão francês brasileiro”, que acabou sendo dominada por famílias portuguesas. Elas passaram a introduzir a ideia das várias fornadas de pão quente ao longo do dia. E indústrias, como a Bunge – que ainda hoje, por meio dos insumos, está em 70% das padarias brasileiras –, adoraram (e propagaram) a ideia, fomentando a cadeia produtiva. Segundo Viviane Morais, há relatos já nos anos 1920 de cursos de panificação nas indústrias da Bunge. O Moinho Santista, desde o início, já mantinha uma padaria experimental para testes de seus produtos.
Sob o nome de cacetinho, baguetinha, bisnaga ou pão de sal, nosso pão francês-brasileiro se espalhou pelo País.
O PÃO FRANCÊS NA FRANÇA
Não se come pão francês na França. Come-se pão. Que nada tem a ver com a porção de casca craquelada que comemos aqui diariamente.
Pão, lá, é coisa séria. E como os franceses são chegados em normas e burocracias, até fizeram lei regulando sua produção: em 1993, foi editado o "decret pain", que permitia apenas farinha de trigo, água, sal e fermento na fabricação dos pães tradicionais franceses (e autorizava, para desespero de puristas, alguns outros aditivos em baixas proporções).
O decreto vinha, principalmente, para proteger a baguete, pão francês de consumo diário e rápido, especialmente nas cidades. À época, havia uma polêmica sobre a queda da qualidade do tradicional pão afilado em Paris. A lei exigia também que, para uma padaria merecer esse nome, seus pães tinham que ser feitos no próprio estabelecimento e não poderiam ser congelados.
domingo, 23 de abril de 2017
Noções básicas de panificação
Do Blog Chefs Ensinando a Cozinhar, por Paola Hummel
TIPOS DE FARINHA
Classificações
São classificações para a farinha de trigo: farinha integral e farinha branca (comum e especial). A farinha integral tem sua elaboração a partir do grão inteiro moído (usada na fabricação de pães integrais, contendo grande quantidade de fibras). Já a farinha branca é feita a partir do grão limpo (sem casca). Divide-se em farinha comum e especial (tipo 1). A especial possui uma quantidade menor de impurezas.
Levando em consideração o nível de proteína: duríssima (alta taxa de proteína. Ideal para biscoitos e bolachas, massas), dura (bom teor de proteína. Ideal para pães), mole (índice baixo de proteína. Ideal para tortas).
Relacionando os dois tipos de classificações: duríssima é a especial, dura e a mole são consideradas a comum.
Tipos
Os tipos de farinha mais usados na panificação são: farinha de glúten ou glúten em pó (usado no preparo de pães que usa outro tipo de farinha na sua produção), aveia, centeio, cevada (todas essas com baixo teor de glúten). Já a farinha de milho, uva, sarraceno, soja e linhaça (todas essas não contém glúten).
FERMENTO
Funções
O fermento tem as seguintes funções: fazer crescer e arejar a massa, tornar o produto final mais digerível e nutritivo, melhorar o aroma e sabor do pão, bem como aumentar a vida de prateleira do pão.
Tipos
Existem 4 tipos de fermentos, sendo que 3 deles são industrializados biológico seco, biológico fresco e o instantâneo) e um natural (fermento natural ou levain).
O fermento biológico seco instantâneo não precisa ser reidratado para ser usado. Já o fermento biológico seco precisa de hidratação para ser usado. Ambos podem ser guardados em temperatura ambiente.
Importante ressaltar que para 30g de fermento biológico fresco equivale a 10g de fermento biológico seco.
O fermento natural ou levain é feito a partir de uma pasta líquida utilizando farinha de trigo e água, sendo que será alimentada com mais massa (farinha e água) por certo período de tempo. Esse tipo de fermento precisa de mais cuidado. É necessário alimentá-lo com mais frequência, ou seja, é preciso adicionar farinha de trigo e água mais vezes.
INGREDIENTES DO PÃO E SUAS FUNÇÕES
· Água: ingrediente primordial no preparo do pão. A qualidade da água interfere nas características da massa do pão. A dosagem padrão de água é de 60%, uma vez que esta é a quantidade de líquido que a farinha absorve.
· Sal: tem as seguintes funções: fortificar o glúten, controlar a fermentação, melhorar o sabor do pão, ajudar no aspecto da crosta do pão, retardar o ressecamento e por fim, ajudar na conservação. Dosagem é de 2% nas produções salgadas e 1,5% nas produções doces.
· Gorduras: várias são as gorduras usadas na panificação: manteiga, margarina, óleo, azeite ou banha. Quando se utiliza 25% ou mais de gordura em uma preparação é aconselhável se fazer uma esponja (pré-fermento), a fim de ajudar na fermentação da massa. Sempre deverá ser adicionada por último. Tem as seguintes funções: lubrificar o glúten, ajudar a melhorar a textura e maciez da massa, aumentar o valor nutritivo, bem como ajudar a conservar o pão.
· Açúcar: são tipos de açúcar: cristal, refinado, impalpável (confeiteiro), mascavo e o demerara. Funções: conferir sabor, maciez, cor e umidade ao pão. Também aumenta o valor nutritivo do pão, bem como auxilia no tempo de vida. Quando se utiliza 12% ou mais de açúcar em uma receita de pão também é aconselhável a fazer uma esponja para ajudar na fermentação. Dosagem: massa com 10% a 20% de açúcar é considerada semi-doce. Já uma massa com 20% ou mais de açúcar é considerada uma massa doce.
· Leite: função de enriquecer, dar sabor e aroma ao pão. Também melhora a crosta do pão e por fim, retém a umidade, melhorando na sua conservação.
· Ovo: favorece o crescimento e melhora a leveza (maciez), a cor, o sabor e a textura do pão. Aumenta o valor nutritivo. Proporciona uma maior durabilidade.
· Melhorador: tem a função de melhorar a massa e o produto final, bem como neutralizar as deficiências dos ingredientes da massa. Dosagem: 1% em relação a farinha.
PRÉ-FERMENTOS
São 4 os tipos de pré-fermento: esponja, biga, poolish e a pâte fermentée.
Esponja – auxiliar o crescimento do pão, ativar o fermento. Deve ser feita sempre que em uma receita houver mais de 25% de gordura ou mais de 12% de açúcar. Não agrega sabor e nem aroma.
Biga, poolish, patê fermentée – usados para dar sabor e aroma ao pão.
FATORES QUE INFLUENCIAM NO RESULTADO DE UMA PRODUÇÃO
Alguns fatores influenciam no resultado final de uma produção. São eles: os ingredientes utilizados, a proporção desses ingredientes, processos usados (temperatura e manipulação dos ingredientes), tempo e temperatura da fermentação e da cocção, além da umidade da massa e do ambiente.
PROCESSO DE SE FAZER UM PÃO
São 12 etapas. O que vai diferenciar é o tipo de batimento escolhido. O que vai determinar a duração deste processo é a etapa da 1ª fermentação.
O pré-fermento é opcional (com exceção da esponja, no caso de ter mais de 25% de gordura e mais de 12% de açúcar). No caso de pré-fermento: 30 minutos no caso da esponja e 16 horas no caso da biga, poolish e patê fermentée.
1° pesagem dos ingredientes
2° batimento – curto, intenso ou melhorado
3° cálculo da temperatura da água no início do batimento (massa ideal – temperatura final entre 23 a 25°C).
Para o cálculo da temperatura da água deverá ser considerado: temperatura da farinha (TF), temperatura ambiente (TAmb), temperatura da água (TA).
Assim: TF + TAmb + TA = TB (temp de base)
4° primeira fermentação – etapa importante. Deixar massa descansar por mais tempo ou não, dependendo do tipo de batimento.
5º porcionamento – decidir o peso dos pães
6º pré boleamento: deixar a massa redonda ou retangular. Deverá dar o formato aos pães, sem apertar demais.
7° segunda fermentação – segundo descanso – rápido (20 min).
8° boleamento – massa ganha formato final
9° terceira fermentação – feito na assadeira em que será assado
10° corte
11° assamento
12° resfriamento
TIPOS DE BATIMENTO
Batimento curto: feito apenas na 1ª velocidade da masseira. Esse tipo de batimento proporciona uma massa com o glúten desenvolvido tendo como consequência uma longa fermentação com muitas dobras da massa (duas ou quatro). Por ter uma longa fermentação, usa-se menos fermento e a massa deve ser mais hidratada tendo em vista a quantidade de dobras. Nesse método de batimento deia o pão com mais sabor (devido a longa fermentação) e a validade será maior.
Batimento intensivo: a massa é batida por um longo período e tem a 1ª fermentação mais curta. Esse tipo de batimento consiste: bater a massa na 1ª velocidade até que todos os ingredientes se incorporem e depois muda-se para a 2ª velocidade até o desenvolvimento completo da massa. O tempo de descanso para a 1ª fermentação é de 15 a 20 minutos, sem a técnica das dobras. O glúten fica totalmente desenvolvido.
Batimento melhorado: meio termo entre os batimentos curto e intensivo (qualidade do batimento curto e eficiência do intensivo). Aumenta a qualidade do pão reduzindo o tempo de batimento na 2ª velocidade, Desta forma, o glúten não fica totalmente desenvolvido, necessitando da primeira fermentação para chegar ao ponto ideal.
ORDEM DE BATIMENTO DO PÃO
Quando for bater uma massa de pão é muito importante seguir a ordem correta, a saber:
1º SECOS: farinhas (trigo, centeio, integral), melhorador, leite em pó, açúcar, canela em pó, chocolate em pó, fubá, cebola desidratada. EXCETO O SAL.
2º MOLHADOS: leite, cerveja, água/suco (se usar água e suco, coloca-se 30% de água e 30% de suco, totalizando o 60% de líquido), ovo, mel, iogurte, purê (ficar atento na água final), pré-fermento (esponja, biga, poolish, pate fermentée), cebola in natura. O leite e suco devem estar gelados.
3º FERMENTOS BIOLÓGICOS: fresco (máximo de 6%), seco (máximo 2%), seco instantâneo. Quanto mais tempo de fermentação, mais sabor terá o pão e menos gosto de fermento terá o pão.
4º SAL 5º GORDURA: manteiga, margarina, óleo, azeite, banha, gordura vegetal hidrogenada. Gordura é colocada ao final para não impermeabilizar o grão de trigo, caso contrário não formará o véu de glúten.
6º OUTROS: grãos, sementes, passas, frutas cristalizadas, linguiça, gotas de chocolate, frios, torresmo. Coloca-se depois da formação do véu de glúten.
TIPOS DE FARINHA
Classificações
São classificações para a farinha de trigo: farinha integral e farinha branca (comum e especial). A farinha integral tem sua elaboração a partir do grão inteiro moído (usada na fabricação de pães integrais, contendo grande quantidade de fibras). Já a farinha branca é feita a partir do grão limpo (sem casca). Divide-se em farinha comum e especial (tipo 1). A especial possui uma quantidade menor de impurezas.
Levando em consideração o nível de proteína: duríssima (alta taxa de proteína. Ideal para biscoitos e bolachas, massas), dura (bom teor de proteína. Ideal para pães), mole (índice baixo de proteína. Ideal para tortas).
Relacionando os dois tipos de classificações: duríssima é a especial, dura e a mole são consideradas a comum.
Tipos
Os tipos de farinha mais usados na panificação são: farinha de glúten ou glúten em pó (usado no preparo de pães que usa outro tipo de farinha na sua produção), aveia, centeio, cevada (todas essas com baixo teor de glúten). Já a farinha de milho, uva, sarraceno, soja e linhaça (todas essas não contém glúten).
FERMENTO
Funções
O fermento tem as seguintes funções: fazer crescer e arejar a massa, tornar o produto final mais digerível e nutritivo, melhorar o aroma e sabor do pão, bem como aumentar a vida de prateleira do pão.
Tipos
Existem 4 tipos de fermentos, sendo que 3 deles são industrializados biológico seco, biológico fresco e o instantâneo) e um natural (fermento natural ou levain).
O fermento biológico seco instantâneo não precisa ser reidratado para ser usado. Já o fermento biológico seco precisa de hidratação para ser usado. Ambos podem ser guardados em temperatura ambiente.
Importante ressaltar que para 30g de fermento biológico fresco equivale a 10g de fermento biológico seco.
O fermento natural ou levain é feito a partir de uma pasta líquida utilizando farinha de trigo e água, sendo que será alimentada com mais massa (farinha e água) por certo período de tempo. Esse tipo de fermento precisa de mais cuidado. É necessário alimentá-lo com mais frequência, ou seja, é preciso adicionar farinha de trigo e água mais vezes.
INGREDIENTES DO PÃO E SUAS FUNÇÕES
· Água: ingrediente primordial no preparo do pão. A qualidade da água interfere nas características da massa do pão. A dosagem padrão de água é de 60%, uma vez que esta é a quantidade de líquido que a farinha absorve.
· Sal: tem as seguintes funções: fortificar o glúten, controlar a fermentação, melhorar o sabor do pão, ajudar no aspecto da crosta do pão, retardar o ressecamento e por fim, ajudar na conservação. Dosagem é de 2% nas produções salgadas e 1,5% nas produções doces.
· Gorduras: várias são as gorduras usadas na panificação: manteiga, margarina, óleo, azeite ou banha. Quando se utiliza 25% ou mais de gordura em uma preparação é aconselhável se fazer uma esponja (pré-fermento), a fim de ajudar na fermentação da massa. Sempre deverá ser adicionada por último. Tem as seguintes funções: lubrificar o glúten, ajudar a melhorar a textura e maciez da massa, aumentar o valor nutritivo, bem como ajudar a conservar o pão.
· Açúcar: são tipos de açúcar: cristal, refinado, impalpável (confeiteiro), mascavo e o demerara. Funções: conferir sabor, maciez, cor e umidade ao pão. Também aumenta o valor nutritivo do pão, bem como auxilia no tempo de vida. Quando se utiliza 12% ou mais de açúcar em uma receita de pão também é aconselhável a fazer uma esponja para ajudar na fermentação. Dosagem: massa com 10% a 20% de açúcar é considerada semi-doce. Já uma massa com 20% ou mais de açúcar é considerada uma massa doce.
· Leite: função de enriquecer, dar sabor e aroma ao pão. Também melhora a crosta do pão e por fim, retém a umidade, melhorando na sua conservação.
· Ovo: favorece o crescimento e melhora a leveza (maciez), a cor, o sabor e a textura do pão. Aumenta o valor nutritivo. Proporciona uma maior durabilidade.
· Melhorador: tem a função de melhorar a massa e o produto final, bem como neutralizar as deficiências dos ingredientes da massa. Dosagem: 1% em relação a farinha.
PRÉ-FERMENTOS
São 4 os tipos de pré-fermento: esponja, biga, poolish e a pâte fermentée.
Esponja – auxiliar o crescimento do pão, ativar o fermento. Deve ser feita sempre que em uma receita houver mais de 25% de gordura ou mais de 12% de açúcar. Não agrega sabor e nem aroma.
Biga, poolish, patê fermentée – usados para dar sabor e aroma ao pão.
FATORES QUE INFLUENCIAM NO RESULTADO DE UMA PRODUÇÃO
Alguns fatores influenciam no resultado final de uma produção. São eles: os ingredientes utilizados, a proporção desses ingredientes, processos usados (temperatura e manipulação dos ingredientes), tempo e temperatura da fermentação e da cocção, além da umidade da massa e do ambiente.
PROCESSO DE SE FAZER UM PÃO
São 12 etapas. O que vai diferenciar é o tipo de batimento escolhido. O que vai determinar a duração deste processo é a etapa da 1ª fermentação.
O pré-fermento é opcional (com exceção da esponja, no caso de ter mais de 25% de gordura e mais de 12% de açúcar). No caso de pré-fermento: 30 minutos no caso da esponja e 16 horas no caso da biga, poolish e patê fermentée.
1° pesagem dos ingredientes
2° batimento – curto, intenso ou melhorado
3° cálculo da temperatura da água no início do batimento (massa ideal – temperatura final entre 23 a 25°C).
Para o cálculo da temperatura da água deverá ser considerado: temperatura da farinha (TF), temperatura ambiente (TAmb), temperatura da água (TA).
Assim: TF + TAmb + TA = TB (temp de base)
4° primeira fermentação – etapa importante. Deixar massa descansar por mais tempo ou não, dependendo do tipo de batimento.
5º porcionamento – decidir o peso dos pães
6º pré boleamento: deixar a massa redonda ou retangular. Deverá dar o formato aos pães, sem apertar demais.
7° segunda fermentação – segundo descanso – rápido (20 min).
8° boleamento – massa ganha formato final
9° terceira fermentação – feito na assadeira em que será assado
10° corte
11° assamento
12° resfriamento
TIPOS DE BATIMENTO
Batimento curto: feito apenas na 1ª velocidade da masseira. Esse tipo de batimento proporciona uma massa com o glúten desenvolvido tendo como consequência uma longa fermentação com muitas dobras da massa (duas ou quatro). Por ter uma longa fermentação, usa-se menos fermento e a massa deve ser mais hidratada tendo em vista a quantidade de dobras. Nesse método de batimento deia o pão com mais sabor (devido a longa fermentação) e a validade será maior.
Batimento intensivo: a massa é batida por um longo período e tem a 1ª fermentação mais curta. Esse tipo de batimento consiste: bater a massa na 1ª velocidade até que todos os ingredientes se incorporem e depois muda-se para a 2ª velocidade até o desenvolvimento completo da massa. O tempo de descanso para a 1ª fermentação é de 15 a 20 minutos, sem a técnica das dobras. O glúten fica totalmente desenvolvido.
Batimento melhorado: meio termo entre os batimentos curto e intensivo (qualidade do batimento curto e eficiência do intensivo). Aumenta a qualidade do pão reduzindo o tempo de batimento na 2ª velocidade, Desta forma, o glúten não fica totalmente desenvolvido, necessitando da primeira fermentação para chegar ao ponto ideal.
ORDEM DE BATIMENTO DO PÃO
Quando for bater uma massa de pão é muito importante seguir a ordem correta, a saber:
1º SECOS: farinhas (trigo, centeio, integral), melhorador, leite em pó, açúcar, canela em pó, chocolate em pó, fubá, cebola desidratada. EXCETO O SAL.
2º MOLHADOS: leite, cerveja, água/suco (se usar água e suco, coloca-se 30% de água e 30% de suco, totalizando o 60% de líquido), ovo, mel, iogurte, purê (ficar atento na água final), pré-fermento (esponja, biga, poolish, pate fermentée), cebola in natura. O leite e suco devem estar gelados.
3º FERMENTOS BIOLÓGICOS: fresco (máximo de 6%), seco (máximo 2%), seco instantâneo. Quanto mais tempo de fermentação, mais sabor terá o pão e menos gosto de fermento terá o pão.
4º SAL 5º GORDURA: manteiga, margarina, óleo, azeite, banha, gordura vegetal hidrogenada. Gordura é colocada ao final para não impermeabilizar o grão de trigo, caso contrário não formará o véu de glúten.
6º OUTROS: grãos, sementes, passas, frutas cristalizadas, linguiça, gotas de chocolate, frios, torresmo. Coloca-se depois da formação do véu de glúten.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
domingo, 30 de junho de 2013
Padaria em Viena
Xeretando a padarias, passatempo predileto
Antonio (ao fundo) vistoriando os pães de uma padaria artesanal no centro de Praga (República Tcheca):
| Clique na imagem para ampliar |
| Esta é a fachada! |
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Viagens
Local:
Prague, Czech Republic
sexta-feira, 17 de maio de 2013
As melhores baguettes de 2013 em Paris
Cliquem aqui para ver o mapa das finalistas do concurso de melhor baguette parisiense em 2013:
Grand Prix de la Baguette 2013
Grand Prix de la Baguette 2013
Em Paris, a edição de 2013 do concurso “Grand Prix de la Baguette de la Ville de Paris” reuniu mais de 203 competidores.
Os pães são registrados com números, para que os candidatos permaneçam anônimos, e são cuidadosamente pesados e medidos para que não violem as regras do concurso, que estabelecem que as baguetes precisam ter entre 55 e 70 cm e pesarem entre 250 e 300 g.
O vencedor deste ano foi o padeiro Ridha Khadher, que terá como prêmio o privilégio de fazer pães para o presidente francês François Hollande.
Os pães são registrados com números, para que os candidatos permaneçam anônimos, e são cuidadosamente pesados e medidos para que não violem as regras do concurso, que estabelecem que as baguetes precisam ter entre 55 e 70 cm e pesarem entre 250 e 300 g.
O vencedor deste ano foi o padeiro Ridha Khadher, que terá como prêmio o privilégio de fazer pães para o presidente francês François Hollande.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Du Pain et Des Idées
sábado, 3 de setembro de 2011
Caminhonete de entrega de Baguettes na França
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Câmara climática
A câmara climática conserva a massa do pão e diminui os gastos nas padarias. O padeiro faz a massa do pão às 16h, coloca na máquina e programa. Primeiro, o equipamento esfria a massa a 10ºC e suspende a fermentação. Às 4h do dia seguinte, o climatizador inverte a temperatura e a fermentação recomeça. Depois de uma hora e meia, está pronta para assar.
A máquina resolve o problema de estocagem do pão, que é um alimento perecível.
Consegue-se assar o pão de cinco em cinco minutos, de dez em dez minutos, quando quiser. Se alguém fizer uma encomenda de última hora e pedir 50 pães, tem-se o material estocado, é só levar ao forno.
A Panificação e a indústria alimentícia no Brasil
De acordo com pesquisas realizadas pela Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP, 2009) a panificação é um dos maiores segmentos industriais do Brasil, compreendendo mais de 63 mil micro e pequenas empresas, que atendem em média 40 milhões de clientes por dia (21,5% da população nacional). O setor gera 700 mil empregos diretos e 1,5 milhão indiretos. Sua participação na indústria de produtos alimentares é de 36,2% , e na indústria de transformação representa 7% do total”. Segundo o Programa de Apoio à Panificação (PROPAN) o “setor de panificação
brasileiro registrou um crescimento de 11,04% nas vendas em 2008” (ABIP, 2009).
O papel social da panificação no Brasil
O setor de panificação e confeitaria ocupa a sexta posição no setor de indústria brasileira, tem uma grande participação no mercado interno, com uma grande vantagem para sociedade, pois diferente das grandes empresas que geralmente localizam-se em uma única região, as padarias geralmente são pequenas e estão em todos os lugares gerando emprego para as pessoas do próprio bairro e renda para o município, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento do local.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Venda de Pão Italiano em Nova York, 1902
A corneta e o sistema de produção do pão medieval
Esse tipo de pintura que retrata artesãos é muito comum na pintura de gênero Flamengo, século XVII (Jó Adriaensz Berckheyde,1681)
A corneta era para avisar que o pão acabara de sair. O processo de produção e fermentação era muito lento e o intervalo entre as fornadas longo, com a corneta todos eram avisados quando uma remeça estava pronta!
A corneta era para avisar que o pão acabara de sair. O processo de produção e fermentação era muito lento e o intervalo entre as fornadas longo, com a corneta todos eram avisados quando uma remeça estava pronta!
Padarias na Idade Média

Job Adriaensz. Berckheyde (1630-1693)
The Baker
Oil on canvas
1681
Worcester Art Museum (Worcester, Massachussetts, United States)
sábado, 18 de junho de 2011
Bagels
Foto: http://cafefernando.com/bagels/
Nesse mesmo Blog está transcrita a receita de Bagels do livro of Peter Reinhart’s “The Bread Baker’s Apprentice já comentado aqui no Blog.
Nesse mesmo Blog está transcrita a receita de Bagels do livro of Peter Reinhart’s “The Bread Baker’s Apprentice já comentado aqui no Blog.
BAGELS
recipe from “The Bread Baker’s Apprentice” by Peter Reinhart
Ingredients
Makes 12 large or 24 mini bagels
Sponge:
Day 1
recipe from “The Bread Baker’s Apprentice” by Peter Reinhart
Ingredients
Makes 12 large or 24 mini bagels
Sponge:
- 1 teaspoon instant yeast
- 4 cups unbleached high-gluten or bread flour (I used all purpose)
- 2 1/2 cups water at room temperature
- 1/2 teaspoon instant yeast
- 3 3/4 cups unbleached high-gluten or bread flour
- 2 3/4 teaspoons salt
- 1 tablespoon malt syrup OR honey OR brown sugar (I used brown sugar)
- 1 tablespoon baking soda
- Cornmeal or semolina flour for dusting the pan
- Toppings for the bagels such as sesame seeds, poppy seeds, kosher salt, dried minced garlic or onions
Day 1
- To make the sponge, stir the yeast into the flour in a large mixing bowl. Add the water, whisking or stirring until it forms a smooth, sticky batter. Cover with plastic wrap and allow to rise at room temperature for two hours. It should swell to nearly double in size and collapse when the bowl is tapped on the countertop.
- To make the dough, in the same mixing bowl (or in the bowl of an electric mixer), add the additional yeast into the sponge and stir. Add 3 cups of the flour, brown sugar and the salt into the bowl and mix until all of the ingredients form a ball. You need to work in the additional 3/4 cups of flour to stiffen the dough, either while still mixing in the bowl or while kneading. The dough should be stiffer and drier than normal bread dough, but moist enough that all of the ingredients are well blended.
- Pour the dough out of the bowl onto a clean surface and knead by hand for about 10 minutes. There should be no raw flour – all the ingredients should be hydrated. The dough will be too big to fit into the 5-quart Kitchen Aid mixer, so I strongly advise you do this by hand. If you’ve used all-purpose flour like I did, kneading time goes up to 30 minutes.
- The Windowpane Test: At this point, your dough needs to pass the windowpane test, which is a reliable method to determine when gluten development is sufficient (also called membrane test). The test is performed by cutting off a small piece of dough from the larger batch and gently stretching, pulling, and turning it to see if it will hold a paper-thin, translucent membrane. If the dough falls apart before it makes this windowpane, continue mixing for another minute or two and test it again. The finished dough should feel satiny and pliable but not be tacky. If it seems too dry and rips, add a few drops of water and continue kneading. If it seems tacky or sticky, add more flour to achieve the stiffness required.
- Immediately after kneading, split the dough into 12 small pieces around 4 1/2 ounces each. Roll each piece into a ball and set it aside. When you have all 12 pieces made, cover them with a damp towel and let them rest for 20 minutes.
- To shape the bagels, poke a hole in a ball of bagel dough, gently rotate your thumb around the inside of the hole to widen it to approximately two and a half inches in diameter. The dough should be as evenly stretched as possible.
- Place the shaped bagels on a lightly oiled sheet pan, with an inch or so of space between one another (use two pans, if you need to). If you have parchment paper, line the sheet pan with parchment and spray it lightly with oil before placing the bagels on the pan. Cover the pan with plastic and allow the dough to rise for about 20 minutes.
- The suggested method of testing whether the bagels are ready to retard is by dropping one of them into a bowl of cool water. If the bagel floats back up to the surface in under ten seconds it is ready to retard. If not, it needs to rise more. If it floats, it means you passed this test, too! Place the bagels in the refrigerator (covered in plastic) and retard overnight. If the bagel does not float, return it to the pan and continue to proof the dough at room temperature, checking back every 10 to 20 minutes until a tester floats.
- The following day, preheat the oven to 500F with two racks set in the middle of oven.
- Bring a large pot of water to a boil. Add one tablespoon of baking soda to the pot to alkalize the water. When the pot is boiling, drop a few of the bagels into the pot one at a time and let them boil for a minute (two minutes if you like your bagel extra chewy).
- Use a large, slotted spoon or spatula to gently flip them over and boil them on the other side.
- Before removing the bagels from the pot, sprinkle cornmeal onto the sheet pan. Remove them one at a time, set them back onto the sheet pan, and sprinkle your topping them right away, while they are still slightly moist.
- Repeat this process until all of the bagels have been boiled and topped.
- Place the sheet pan into the preheated oven and bake for 5 minutes, rotate the pans, reduce the heat to 450 degrees, and bake for another 5-10 minutes (depending on how dark you like your bagel) until the bagels begin to brown . Remove the pan from the oven and let cool.
domingo, 5 de junho de 2011
Foto de Antiga Padaria em Paris
Garimpei essa foto na web, porém não sei sua origem para além do fato de se tratar de uma antiga padaria parisiense do século passado.
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